Antes Que Eu Vá – Lauren Oliver

 

 

 

“O que estou querendo dizer é: talvez você possa se dar o luxo de esperar. Talvez para você haja um amanhã. Talvez para você haja mil amanhãs, ou três mil, ou dez, tanto tempo que você pode se banhar nele, girar, deixar correr como moedas entre seus dedos. Tanto tempo que você pode desperdiçar.

Mas para alguns de nós só existe hoje. E a verdade é que nunca se sabe.”

Antes Que Eu Vá, página 205

 

 

A verdade tem um jeito estranho de surgir em nossas vidas. Samantha Kingston precisou morrer para descobri-la. Sete vezes. Reviver aquele dia faz Sam questionar coisas simples e comuns, que nem se dava conta da importância que estes atos tinham... para os outros. Antes de partir, Sam descobrirá o verdadeiro significado de sua vida e terá a chance de fazer seus momentos serem lembrados por grandes valores. Mas será que ela entenderá o que a morte busca lhe dizer? Você – e ela – estão prestes a descobrir!

 

Aquele era para ser mais um dia normal para Samantha Kingston. Ou tão normal quanto o dia do Cupido pode ser. Naquele dia 12 de fevereiro, Sam apenas queria somar muitas rosas, que ostentassem sua popularidade; curtir mais uma tarde sem compromisso com suas amigas; se esbaldar numa festa em que todos esperavam por ela, Ally, Lindsay e Elody; e finalizar o dia tendo sua primeira vez com o cara pelo qual acredita estar apaixonada. Mas aquele não era um dia normal para Sam, mas sim o dia em que morreria – pela primeira vez!

 

Reviver aquele fatídico dia, sete inacreditáveis vezes, fazem com que Sam questione tudo o que aquele 12 de fevereiro lhe apresentou: conhecer verdadeiramente suas amigas, questionar seus sentimentos por Rob, entender a estranha Juliet, dar chance a seu antigo amigo Kent e poder reconhecer a afeição pela sua família. Mas reviver este dia é muito mais que uma experiência ruim ou um pesadelo sem fim... e cabe a Sam buscar o sentido de sua morte nos eventos que vivenciou naquele dia.

 

Com a chance de poder fazer a diferença e mudar algumas coisas que questiona em sua vida, Sam enxergará além e verá as banalidades triviais daquele dia, como uma oportunidade de intervir, de alguma forma, e modificar o rumo de alguns eventos, que seu egoísmo ou falta de tato, acabaram desencadeando. Ela terá a chance de se permitir tentar e acertar... a chance de fazer a diferença.

 

Quando a morte se aproxima, muitas vezes pode ser tarde demais. Mas há momentos em que surgem oportunidades de tentar de novo e seguir com a consciência tranquila. Sam tem essa chance... mas será que conseguirá descobrir o sentido de sua morte e consertar as coisas antes que ela vá?

 

“Eis outra coisa a se lembrar: a esperança o mantém vivo. Mesmo quando você está morto, é a única coisa que o mantém vivo.”

Antes Que Eu Vá, página 106

 

Antes Que Eu Vá tinha tudo para ser mais uma história em que a mocinha sofre uma terrível tragédia, que acaba tirando a sua vida, mas que de alguma forma, consegue transformar a vida das pessoas a sua volta. Mas não era isso que Lauren Oliver tinha nos seus planos ao criar essa instigante história. Muito pelo contrário, Oliver abusou de uma protagonista errada, movida pelo impulso, pelas aparências e pelo desejo de ser reconhecida e aceita. E aí, que o enredo até então previsível aos meus olhos, se desfez numa breve citação e se transformou naquele que viria a ser um dos livros mais tocantes que li até então.

 

Não consigo descrever Antes Que Eu Vá como uma história ‘tocante’, ‘emocionante’ ou ‘envolvente’, porque a cada nova experiência de Sam, as emoções passadas pelo livro se modificavam. Então, não há um único sentimento capaz de abranger o livro, não me restando outra forma a não ser a ‘singularidade’ para representa-lo.

 

A narrativa, em primeira pessoa, feita por Sam, relata todos os momentos do dia de sua morte, e as sete vezes em que o vivenciou. Nele, Sam questiona sua relação com a família: o quanto se afastou de sua mãe e o quanto a queria mais próxima de si; os exemplos que deixou para sua irmã mais nova e a forma como ela se lembrará dela; e o quanto impediu o contato com todos eles (pai, mãe e irmã). Ela também vivencia as questões que envolvem as amizades, como os segredos que existem entre eles; o quanto certas condutas não são questionadas, mesmo que vão contra os princípios que te regem; e a forma como, apesar da companhia influenciar você, ela não é capaz de mudar a sua essência. Sem esquecer o campo amoroso, que passa a ser visto com olhos mais atentos e, em especial, a detalhes que até então, passavam despercebidos.

 

“Agora eu sei.

Nunca foi uma questão de salvar minha vida.

Pelo menos não do jeito que pensei.”

Antes Que Eu Vá, página 315

 

Mesmo o enredo sendo especificamente focado na morte de Sam, os eventos que o cercam são a chave para entender um pouco sobre a personagem e sobre o desfecho do livro. Apesar de compreender o contexto da morte, e fazer dela o elemento principal da história, outros aspectos ganham destaque, como o bullying, preconceito e estereótipos que a sociedade emprega nas pessoas consideradas diferentes. É interessante que justamente nos temas paralelos que Oliver soube encaixar as falhas de Sam, pois ela era um exemplo fiel de tudo que hoje ela rejeita. Ou seja, a identificação do passado da personagem acaba por refletir diretamente nas suas atitudes atuais.

 

Já no contexto principal da obra, a personagem evidenciou os cinco estágios da morte durante o período em que a revive, passando pela negação, raiva, negociação (nem tão evidente assim), depressão e, enfim, a aceitação, a qual vem acompanhada da compreensão sobre o porquê deste déjà-vu. Mesmo tendo uma personalidade um tanto arrogante no inicio do livro, Sam encontra brechas em sua armadura e revela um lado mais sensível e preocupado com o que acontece a sua volta e é assim que a narrativa deixa de ser presunçosa e passa a ser reflexiva.

 

Apesar de ser a história de Sam, suas amigas Elody, Ally e Lindsay tem grande destaque, pois são essenciais para determinadas passagens no livro, como o fato de Sam passar a ser popular e o quanto a amizade a ajudou e a prejudicou, em todos os sentidos. Mas, é em Juliet e Kent que as verdadeiras emoções estão... então, fique de olho nessa dupla um tanto fora da comum.

 

Demorei um bom tempo para conseguir colocar minhas emoções de lado e escrever essa resenha da forma mais imparcial possível... mas, obviamente, não consegui. Não consegui porque este livro foi feito para mexer com os leitores... Tocá-los de uma maneira como poucas histórias conseguem. É uma leitura para repensar como você trata as pessoas, o quanto você deixa as suas opiniões e necessidades passarem por cima das dos demais... Fala sobre amizades, relacionamentos, romances, famílias e tudo aquilo que todos realmente desejam: ser aceitos pelo que são, sem precisar se encaixar ao modelo que esperam de ti, mas viver em plenitude aquilo que lhe faz bem. Então, com ou sem emoção, afirmo que Antes Que Eu Vá é inacreditavelmente viciante, emocionante e muito, mas muito envolvente e reflexivo. Esse é para aqueles que não querem deixar as oportunidades certas passarem em vão e que desejam aproveitar todos os momentos, bons ou ruins, da vida. Chega o momento em que é preciso abrir os olhos e realmente olhar o que a vida lhe dá de melhor... Boa leitura!

 

“Algumas coisas se tornam lindas quando você realmente olha.”

Antes Que Eu Vá, página 261

 

 

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Título Original: Before I Fall

Título Nacional: Antes Que Eu Vá

Autor: Lauren Oliver

Ano de Lançamento: 2011

Número de Páginas: 360 páginas

Editora: Intrínseca

Onde Comprar: FnacSaraivaTravessa

Sinopse: Em uma noite chuvosa de fevereiro, Sam é morta em um acidente de carro horrível. Mas em vez de se ver em um túnel de luz, ela acorda na sua própria cama, na manhã do mesmo dia. Forçada a viver com os mesmos eventos ela se esforça para alterar o resultado, mas acorda novamente no dia do acidente. O que se segue é a história de uma menina que ao longo dos dias, descobre através de insights desoladores, as conseqüências de cada ação dela. Uma menina que morreu jovem, mas no processo aprende a viver. E que se apaixona um pouco tarde demais.

Avaliação: «««««

16 comentários:

Pedro Vinícius disse... [Responder comentário]

Não preciso me deter em fazer qualquer comentário mais amplo quanto à esta resenha, visto que ela conseguiu abordar, de maneira sucinta e geral, os principais pontos do livro. Sério, muito boa! Parabéns!...

"Antes Que eu Vá" é realmente uma história que mexe com o leitor. E, muito dificilmente, um deles se deixará desapegar do livro um instante sequer do início do livro ao seu fim.

PERFEITO, posso concluir. (:

Thais (Viaje na Leitura) disse... [Responder comentário]

Oi Rê,
Quero ler o livro, um dia.
Tenho medo de chorar mais, já me emocionei demais com vários outros enredos parecidos! rs

Bjs

Nine Stecanella disse... [Responder comentário]

Oi Rê!
Pois é. Tá aí mais um livro que paquero faz um bom tempo e com essa resenha de tirar o fôlego não tem como não querer ler ainda mais. O enredo é algo que me impressiona muito e o tema "morte" também. Mas pelo que entendi, como narrativa de primeira pessoa, tudo deve ficar ainda mais próximo do real. É um livro que espero ler em breve! Parabéns pela resenha!


Beijo!
http://janinestecanella.blogspot.com/

Georgia Schmitt disse... [Responder comentário]

Estou sem palavras para elogiar essa tua resenha... Simplismente maravilhosa... PERFEITA
Re tu escreve muitooooo! Parabens!!!!!!!
E sobre o livro... estou emocionada apenas lendo a sua resenha, acredito que vou amar... Ele esta aqui compradinho esperando a vez dele...
Um grande Abraco e Boa semana!
bjs
Georgia_Schmitt

Guto Fernandes disse... [Responder comentário]

Mais uma ótima resenha!

Achei interessante o meio usado para fazer com que a personagem refletisse sobre suas ações, me lembra bem a premissa do primeiro efeito borboleta, o que garante uma trama interessante. Um medo que poderiamos ter era das sucessivas mortes acabarem por deixar o enredo maçante ou prevísivel, mas pelo visto cada um desses acontecimentos acaba por dar mais estímulo para a leitura.

Quanto ao tema da narrativa, creio que a autora conseguiu encaixar uma boa história com algo relevante, que mesmo sem que seja perceptível durante a leitura, irá fazer com que alguns questionamentos sobre a própria pessoa possam ser feitos. Um livro quase que de auto ajuda, mas com o que de melhor a ficção pode oferecer para atrair e prender o leitor.

Parabéns pela resenha, ficou ótima como sempre. Possibilitou tanto conhecer a respeito da obra quando já ter alguma ideia do que esperar quanto aos sentimentos e reflexões que vem intrísencos a ela. Beijos minha linda!

Vulcka disse... [Responder comentário]

Com toda a certeza, a melhor resenha que já fizeste!
Se embasada nas emoções que o livro causou a escreveste, imagina como deve ser o próprio livro? A resenha em si já está envolvente!
Parabéns, Rê!
E eu fiquei com MUITA vontade de ler esta estranha história. Morrer SETE vezes? Ou ela é um felino ou essa trama tem tudo para ser realmente boa! *-*

Claudia F. disse... [Responder comentário]

É Rê, estou escolhendo as palavras pra fazer esse comentário. Sua resenha ficou simplesmente perfeita.
Me envolveu no livro de uma maneira impressionante. Já li resenhas sobre ele mas a sua me tocou de uma forma diferente. Bom, não sei explicar, mas me senti lendo o livro mesmo. Quero ter oportunidade de lê-lo pra poder ter uma opinião mais concreta.
Mas, amei a história e o jeito como você a descreveu.
Parabéns! *-*

Claudia F.

Bruna disse... [Responder comentário]

Oi Rê, nossa o povo fala muito bem do livro, e eu fico aqui me perguntando se lerei ele um dia e me emocionarei desse jeito... as vezes tenho medo de ler muitas resenhas e depois ler o livro e não sentir mais a emoção, por isso li alguns trechos da sua, que aparenta estar completinha!

Beeeijooos

Bruna in Wonderland
www.brunainwonderland.com.br

Endry disse... [Responder comentário]

Este livro está me deixando eufórica! Preciso ler *--*
Tua resenha está muito boa, Rê!
Preciso de $ para poder acabar com essa agonia, hauahua :)

beijinhos :*

Fábrica dos Convites disse... [Responder comentário]

Sou apaixonada por esta capa, não vejo a hora de ler este livro. Bjs, Rose.

Maryzlane Sarah disse... [Responder comentário]

Sinto que mortes seram os novos anjos e vampiros uhasuhas

Esse livro parece ser muito bom, agora é esperar a mamys ficar de boa de novo pra pedir uhsauhas

Nathi disse... [Responder comentário]

Oi!!!
Nunca li nenhum livro que trata da morte como tema principal. Li os 3 últimos livros da série Os Imortais, que traz a morte como um dos temas, mas não foca especificamente na mesma.
Antes que eu vá parece o tipo de livro que você só larga quando termina e ainda fica com gosto de quero mais.
Sem dúvida alguma, após essa resenha está entre os mais desejados da minha lista.
;*
Nathi Mota.
http://nathieseuslivros.blogspot.com/
@Nathi_Cullen

Amanda Vieira disse... [Responder comentário]

Olá Renata, este é o livro que mais quero ler no momento.
A resenha que você fez me chamou bastante atenção, porque
eu já esperava que fosse um livro que me emocionasse, e agora
com a leitura da sua resenha não tenho dúvidas de que será um dos meus
livros preferidos!!!
Abraços:)

Marco Antonio disse... [Responder comentário]

Boa noite.

Gostei da resenha e não conhecia o livro que parecer ser muito bom.
Parabéns!!

Estou aguardando a sua visita no blog.

Abçs!!

http://devoradordeletras.blogspot.com/

Juliana Erdmann disse... [Responder comentário]

Esse livro deve ser maravilhoso,pois já vi muitas resenha positivas quanto a ele.


http://melanciapink.blogspot.com/

Laiara Martins disse... [Responder comentário]

Ai Rê, sua resenha tá ótima como sempre né!

Já ouvi falar muito sobre antes que eu vá, eu fui até no evento de lançamento dele que teve aki na minha cidade!
Mas também já ouvi muitas opiniões controversas a respeito dele também!

então, eu tenho uma super vontade de ler, mas ao mesmo tempo fico com um pé atras, então...


bjusss

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