Necrópolis, A Fronteira das Almas – Douglas MCT

 

 

 

 

O propósito da vida é a morte. Tudo depende da escolha. É a regra das coisas sem regras. É a regra da existência. É a regra da vida e da natureza. Tudo que tem um começo tem um fim. Para que possa ter outro começo e outro fim. Ectoplama. A morte. O ciclo. A expansão da consciência. Duas forças da naturezas opostas. Niyanvoyvo e Ouroboros. Necrópolis – A Fronteira das Almas pág. 186

 

 

 

Verne e Victor Vipero eram irmãos e órfãos que viviam sob a tutela de Sophie Lacet que possuía grande estima pela falecida mãe destes. Assim tendo na vida somente um ao outro, os irmãos acabaram por fortes criar laços de amizade e companheirismo, algo transcendental, simbolizado por um par de frascos onde cada um deles mantinha o seu sangue misturado ao do outro e os usavam pendurados como cordões.

E esta relação é abalada quando o jovem Victor e mais seis crianças morrem de maneira cruel e misteriosa. Verne comovido pela perda então se vê diante de uma proposta feita por um estranho que poderá trazer seu irmão de volta a vida. Cético e amargurado o rapaz somente acredita no homem quando este por fim prova de uma vez por todas a verdade de suas palavras. Desta forma Verne Vipero começa a se preparar para partir a Necrópolis e retirar o nyian de seu irmão da Fronteira das Almas, salvando-o do esquecimento eterno.

Eis os primeiros acontecimentos do livro Necrópolis – A Fronteira das Almas do autor Douglas MCT e publicado no ano passado pela Editora Draco. Desde o anúncio do lançamento do livro tive interesse em conhecê-lo, primeiramente por conta da arte da capa (que transmite bem o clima do enredo e tem um ótimo acabamento) e depois pela sinopse assim como o gênero como ele era descrito (dark fantasy), e com o passar dos meses entre uma compra e outra nunca o encontrava na loja onde tinha costume de adquirir livros. Por fim ao variar um pouco de vendedor o comprei junto de outros volumes da editora e me coloquei a lê-lo no mesmo dia em que recebi a entrega.

À primeira vista o enredo de Necrópolis – A Fronteira das Almas se desenvolve de maneira lenta e gradual, apresentando o dia a dia de Verne assim como suas amizades, desejos e lembranças. Logo começam a surgir as partes que marcam o encontro do jovem, de personalidade firme e cética, com um mundo sobrenatural e sombrio muito além de sua compreensão e fé. Nesse ponto o autor começa a introduzir os vários conceitos criados e adaptados por ele de várias culturas e de algumas obras clássicas. Algo marcante é a divisão da existência em círculos, que pode lembrar um pouco a mitologia nórdica, assim como as diversas referências diretas aos mitos gregos assim como criações inspiradas nos mesmos. Para os leitores de Fronteiras do Universo não será difícil notar uma semelhança entre os dimons de Philip Pullman e os Amigos Imaginários, ou AI, de Douglas.

Todo o universo criado por Douglas MCT é de uma complexidade memorável, tendo seus locais definidos e com características próprias e distintas dos outros. O mesmo ocorre com a criação dos personagens, habitantes e criaturas de Necrópolis. Alguns deles são como versões modificadas de seres já existentes, ganhando somente uma aparência mais sombria para se enquadrarem no proposto pela trama. Outras tantas raças foram adaptadas ou criadas por Douglas, mas prefiro me ater as três a seguir por se mostrarem as mais interessantes a meu ver. Virleonos me lembraram em muito os leoninos de Magic The Gathering, os oaiprocses são os clássicos homens-escorpião, trazidos para um lado ainda mais violento e os corujeiros foram uma criação muito interessante.

Quanto ao desenvolvimento do mundo não há pontos que entrem em conflito ou se mostrem infundados com a evolução do enredo. Porém, infelizmente, a descrição dos cenários e ambientes por vezes se mostrou muito rápida, não permitindo uma maior construção da cena ou paisagem. Porém a personalidade dos personagens carece de melhoras em certos aspectos. Verne cuja motivação é salvar o irmão o mais rápido possível por algumas vezes desvia-se do objetivo principal de sua busca sem motivos convincentes além dos coadjuvantes que tendem a ajuda-lo na busca sem que haja algo em contrapartida ou alguma reflexão mais profunda.

Outro ponto negativo com relação à narração e descrição que observei foram alguns flashbacks usados no decorrer da trama que pareceram não dar continuidade ao ritmo normal do enredo, parecendo que foram colocados naquele momento somente para cobrir um espaço que o autor não conseguiu encaixar a frente. E há uma passagem nos momentos finais do livro que fugiu ao que estava sendo narrado de maneira gritante – quando o protagonista Verne recebe uma mensagem de outro personagem e comenta a respeito de fatos que tecnicamente não foram citados como conhecidos por ele.

No final também senti um pouco de estranhamento quanto à velocidade dos acontecimentos. Em alguns destes as coisas pareceram acontecer mais rapidamente, causando uma sensação de que foram forçadas a serem daquela maneira mais corrida e superficial. Creio que um pouco do clima de tensão e mistério que o autor gostaria de passar nos momentos decisivos deste primeiro volume, acabaram por perder a força com a pouca descrição dos mesmos.

Em relação à narrativa também houve alguns momentos em que o modo do autor apresentar os pontos de vistas dos personagens acabou por me confundir. Nos primeiros capítulos enquanto é alternado o ponto de vista somente entre Verne e seu irmão Victor em situações isoladas é possível ter uma maior noção de quem detém as impressões, porém ao apresentar mais personagens a situação mudou. Em alguns momentos a narração se iniciava dando a entender que o foco era em determinado personagem, mas ao longo da cena acabávamos tendo também as sensações e impressões de outros personagens e com isso a mudança para uma narração em terceira pessoa praticamente onisciente que não se casava bem com o texto apresentado.

Para finalizar gostaria de frisar que os ganchos deixados por Douglas MCT para os próximos livros se mostraram interessantes, podendo ser uma aposta de ótimas aventuras para os anos seguintes. Creio que todo o conceito criado pelo autor neste primeiro livro tem potencial para crescer ainda mais e se desenvolver de maneira satisfatória uma vez que os pontos acima mencionados fossem sanados.

Necrópolis – A Fronteira das Almas te proporciona uma leitura agradável para passar longas noites entre um capítulo e alguns minutos numa campanha de Diablo II, como eu próprio fiz. As inconsistências citadas não prejudicaram a evolução da minha leitura, embora acredito que sem elas poderia ter desfrutado ainda mais deste universo vasto e sombrio.

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Título Nacional: Necrópolis – A Fronteira das Almas

Autor: Douglas MCT

Ano de Lançamento: 2010

Número de Páginas: 308 páginas

Editora: Draco

Onde Comprar: Saraiva  Livraria Estronho 

Sinopse:Verne Vipero não acredita em nada fora do normal. É um rapaz cético que confronta sua descrença ao descobrir que pode salvar a alma do irmão morto, que segue em direção ao Abismo. Abalado pela perda e descobrindo essa possibilidade, parte para o Mundo dos Mortos com um objetivo, quase uma obsessão: trazer Victor, o caçula, de volta à vida. Custe o que custar. Em Necrópolis – A Fronteira das Almas, romance de Douglas MCT, o leitor acompanha Verne Vipero a Necrópolis, uma das regiões de Moabite, o Sétimo dos Oito Círculos do Universo. Um lugar habitado por criaturas sobrenaturais como duendes, vampiros, reptilianos e centauros. Onde há planos que levam a mundos Etéreos, de Pesadelos e Magia. Um lugar regido por forças opostas: o Ouroboros, que permite a renovação da vida; e o Niyanvoyo, onde as almas dão seus passos rumo ao fim. Aliado a um monge renegado, um ladrão velocista, uma mercenária deslumbrante e um homem-pássaro suspeito, Verne conhecerá um deserto mórbido, um abrigo de magos e uma cidade de pedra, e irá até os confins do mundo em sua jornada tenebrosa para resgatar a alma do irmão. Em Necrópolis nada é o que parece e a Fronteira das Almas é o fim da travessia.

DSC02890Por Gutemberg Fernandes! Apaixonado por literatura fantástica, principalmente a vampírica e de Alta Fantasia! Espero que gostem das obras trazidas por mim até vocês!

10 comentários:

Vulcka disse... [Responder comentário]

Uau.. eu olhei a capa do livro e pensei "tem cara de ser nacional :/" ! Parece que preciso tratar esse meu aparente preconceito. Parece ser uma ótima história :D

Juliana disse... [Responder comentário]

Wow, bela resenha :D
Eu também acho essa capa muito bonita, mas ainda não tinha me interessado a ler, não sei se dark fantasy é o meu gênero preferido haha
Mas eu achei realmente interessante o modo como você citou os aspectos do livros, como a criação de um mundo novo e criaturas novas, e também os aspectos negativos. Acho que os autores precisam dessas observações para melhorar sempre :D

Ju
http://julianagiacobelli.com

Gisele disse... [Responder comentário]

Bela resenha mesmo!!!..super detalhada e caprichada!!!!
Bom, não sou muito fã desse tipo de livro...mas confesso que gostei da história..é bastante interessante..
Quem sabe algum dia eu venha a ler...

bjus

Claudia F. disse... [Responder comentário]

Ótima resenha.
A capa do livro é realmente sensacional, e a história parece interessante, dark fantasy não é meu gênero preferido, mas eu até gosto de histórias que envolvem coisas sobrenaturais... a citação no começo da resenha já diz tudo né.

Claudia F.
http://entreincertezas.blogspot.com/

Maryzlane Sarah disse... [Responder comentário]

Gente essa capa é assustadora, parece ser um livro bom, não sei porque mas me lembrou full metal alchimist

Bruna disse... [Responder comentário]

Sabe que eu neeem fazia ideia da existencia desse livro, mas interessante saber que ele existe, e que bom não é tãão digamos rápido de ler no seu começo, mas digo uma coisa, a capa é linda, tem uma arte muito legal!

Até!!!

paros28 disse... [Responder comentário]

Não faz muito meu gênero literário, achei interessante a capa, gostei até da narrativa do livro, muito bem apresentada pela resenha, mas.... maninho você sabe que não é a minha praia kkkkkkk.

Agora tem até fotinho do resenhista??? hummm até pensei que fosse alguma propaganda de 0300 kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Brenda Lorrainy disse... [Responder comentário]

Muito boa resenha ! É ótimo quando vemos resenhas verdadeiras que realmente passem o que tem no livro citando os pontos positivos mas também os negativos! Não fui muito com a cara da capa me deu um medinho,mas achei a sinopse legal,então talvez eu de uma chance a ele (:

Adriana disse... [Responder comentário]

Gostei, parece um livro sombrio, pena acontecer algumas falhas como vc citou, mas se não atrapalha muito a leitura então é um livro válido! Adorei a resenha, espero poder ler um dia, bjo!

Mika disse... [Responder comentário]

ah! a capa parece coisa de videogame, mas num gosto desse tipo de historia nao. Vc escreve MUITO bem, Guto. E olhe que ja sei disso, ja virei sua fã por causa do Yugo...ahauhauha... mas nao me interesso muito por enredos sobrenaturais, ate leio, mas é menos empolgante do que tempos atras.

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