Cabeça de Vento – Meg Cabot

 

cabeça de vento[2]

 

 

“O mais estranho até agora era o modo como a minha família estava agindo perto de mim... Como se eles não me conhecessem.

Era quase como se – e sei que isso parecia loucura – eu fosse outra pessoa.”

Cabeça de Vento, página 80

 

 

 

Uma adolescente nerd. Uma jovem supermodelo. Um acidente que muda para sempre a vida das duas. E a revelação de que o exterior de uma pessoa não define quem realmente ela é. Nessa nova série da diva Meg Cabot, percebemos que por traz de um rosto perfeito nem sempre há uma cabeça de vento!

 

Emerson Watts, ou simplesmente Em, tem quase 17 anos e é uma estudante comum do Tribeca Alternative, fazendo parte dos “excluídos”, aqueles que não são reconhecidos por ninguém e que não aceitam os “mortos-vivos”, os populares e “sem cabeça”. Entre níveis de Journeyquest, seu game preferido, Em passa horas rindo ao lado de seu amigo Christopher e implicando com sua irmã “morta-viva” Frida.

 

Quando sua mãe a obriga a acompanhar Frida na conturbada inauguração da Stark Mega Store, com um show de Gabriel Luna, a nova revelação musical e paixão da sua irmã. Mas as atenções de Frida (bem como a de Christopher e Gabriel) mudam quando a supermodelo Nikki Howard entra na loja. Entre protestos dos manifestantes contra a abertura da loja e as aclamações com a chegada de Nikki, as coisas perdem o controle, e em um ato de salvar Frida, Em se joga em frente a ela e acaba sendo atingida por uma TV de plasma, que cai do teto direto em sua cabeça.

 

Agora no corpo de Nikki Howard, Em precisa ser tudo aquilo que sempre detestou e provar que ter um corpo perfeito, não significa ter uma cabeça de vento. Chegou a hora de se questionar e descobrir a resposta que tanto teme: o que define alguém é o seu corpo ou o seu cérebro? Em quer saber quem ela realmente é. E você, está pronto para descobrir isso com ela?

 

 

“- Aqui dentro de mim já é uma bagunça – declarei. – A verdade é que o meu lado de dentro nunca vai combinar com o lado de fora. – Toquei a campainha. – Mas você quer saber de uma coisa? Tô começando a achar que o interior de ninguém combina.”

Cabeça de Vento, página 319

 

 

Meg é Meg. Só por ter o nome dela impresso em uma capa é sinônimo de sucesso. Esse foi o motivo pelo qual comprei Cabeça de Vento (sem contar que me apaixonei pela capa), mas não foi o fator determinante para me encantar com a história. Meg tem a tendência de inovar, de criar personagens fortes, que por si só, já transformam um enredo. Mas Meg não deixa só por isso não... ela investe em enredos singulares e histórias cativantes, transmitindo mensagens importantes, sem perder o bom humor e a suavidade da sua escrita.

 

Nessa nova série, Meg utiliza a ficção científica para compor sua história. Particularmente, não curto muito essas abordagens especulativas sobre o futuro, mas em momento algum tive receio de me entrar nesta leitura. Então, não preciso dizer que me fascinei com Cabeça de Vento e a forma dinâmica como Meg intercalou ficção científica com a sua visão única do universo adolescente. E a abordagem do sempre atual culto a beleza, além de ser cativante, foi totalmente verdadeiro.

 

 

7673622.igirl_cabeca_de_vento_jovem_224_298

 

 

A ficção científica abordada no livro não passa simplesmente de um “ato”: uma técnica médica onde um corpo ganha um “novo” dono (não entrarei em detalhes). O procedimento é explicado durante o livro, mas em si, a inovação de Meg é incrível. Já imaginou acordar dentro do corpo de outra pessoa? Olhar no espelho, sabendo quem é você, mas o reflexo apontar outra pessoa? Muito confuso. Porém uma forma brilhante de fazer o leitor “sentir na pele” o que é estar do outro lado das coisas, passando a ser aquele a quem você criticava.

 

Até que ponto se pode julgar uma pessoa pela aparência? Porque sempre criamos rótulos para estereotipar a pessoa em algum perfil que melhor nos convém? Bom, não há explicações para isso, apenas a conclusão de ver alguém que rotulava os queridinhos da moda e dos famosos de mortos-vivos, se tornar um deles. Emerson é a personagem perfeita para isso: geek, avessa a moda, desligada das rotinas de beleza e totalmente crítica a quem fazia parte deste mundo. Agora, sendo parte dele, Em percebe que rotular as pessoas sem conhecê-las é um tremendo engano. Quem somos é algo além da aparência, vem da personalidade, das escolhas, dos ensinamentos, das trocas, do trabalho... da construção que fazemos a cada dia como pessoas. E isso, Cabeça de Vento soube explorar muito bem.

 

 

“Ser modelo não é fácil. Na verdade, é bem difícil. Ser modelo é interpretar. Você tem de agir como se realmente estivesse se divertindo quando a verdade é que cada pedacinho do seu corpo está doendo... Principalmente o coração.

Quero dizer, se você for eu.”

Cabeça de Vento, página 285

 

 

Os personagens são um mix de personalidades e emoções. No centro de tudo, tem Em, a geek, e Nikki, a modelo festeira, namoradeira, mas de beleza impecável. Christopher, o amigo nerd deslocado, por quem Em é apaixonada secretamente. Frida, a irmã que sonha em ser popular e fazer parte do grupo dos “mortos-vivos”. Lulu, a melhor amiga de Nikki e uma das celebridades teens mais prestigiadas, super ligada em moda, mas com uma amiga como poucas. Brandon, filho do dono da Stark Enterprises e namorado de Nikki, é popular por seu dinheiro e o uso para conseguir status. Sem contar a presença do fofíssimo e apaixonado Gabriel Luna, do safado Justin Bay, do arrogante Robert Stark e da interesseira Whitney Robertson.

 

Cabeça de Vento é cativante, emocionante e reflexivo. Numa narrativa envolvente, você começa a ler e não deseja parar. Devorei o livro em poucas horas e a série se tornou um dos meus vícios literários do momento. Meg Cabot encantou novamente, mas trouxe mais proximidade com o leitor por abordar temas cotidianos, com estereótipos e “culto” a beleza. É uma forma divertida de reavaliar como nos portamos frente às outras pessoas, e refletir sobre a importância de dar a oportunidade para conhecer uma pessoa, antes de rotulá-la de alguma forma. Além disso, é divertido saber os acontecimentos do backstage do mundo da moda, sobre como a fama tem seu preço e como os trabalhos realmente são (caso alguém ainda tinha alguma dúvida rsrs).

 

 

1875231388_60abbc3a9b

 

 

O livro acaba num momento interessante, o que deixa mais vontade de ler sua continuação, Sendo Nikki, prevista para chegar às livrarias em abril deste ano, pela Galera Record. Runaway, o terceiro e último livro da série, não tem previsão de lançamento por aqui.

 

Com um projeto gráfico impecável, uma história fascinante e inovadora, Meg Cabot arrasa em sua nova série, prometendo arrancar suspiros, aplausos e muitos flashes de seus leitores. Quer descobrir a real beleza? Então se entregue a Cabeça de Vento!

 

 

 

Título Original: Airhead

Título Nacional: Cabeça de Vento

Autora: Meg Cabot

Ano de Lançamento: 2010

Número de Páginas: 319 páginas

Editora: Galera Record

Sinopse: Emerson Watts odeia seu nome, tem problemas com quase todo mundo na escola e seu melhor amigo parece nem desconfiar de sua paixão por ele. Parece que ela tem problemas? Pois um acidente num shopping aproxima Em e a famosa modelo Nikki Howard muito mais do que deveria, e é aqui que os problemas começam de verdade.

Avaliação: «««««

10 comentários:

paros28 disse... [Responder comentário]

Hummm eu só li da Meg Cabot a série Mediadora e os livros históricos que ela lança como Patricia Cabot.

Vamos ver quem sabe não me interesse pelo Cabeça de Vento, adorei o tipo de narrativa da Meg, muito inteligente e divertidíssima.

Beijos.

RÊ ESTOU COM SAUDADES DE IMPLICAR COM VC KKKKK

NikaSanc disse... [Responder comentário]

Bem, esse não é o tipo de livro que estou acostumada a ler, mas me parece bem interessante.
>.<

Beijos, NikaSanc

Thwin_BDB Fotos e Livros Twilight VA disse... [Responder comentário]

É uma vergonha... ainda não li nada da DIVA Meg Cabot... mas já estou com alguns livros na fila... sabe qual? Aquela fila interminável e que cada dia... aumenta mais e mais...

Rê, saudades, adorei a resenha...

Juh** disse... [Responder comentário]

Amo Meg Cabot, acho ela suuuper diva!
Quero muito ler esse livro, me lembra bastante a sér Drop Dead diva, mas ao contrario.
Adorei a resenha guria, super detalhada, do jeito que eu gosto =)
beijocas enormes
Livros e blablablá

Cíntia disse... [Responder comentário]

Olá!

Já li esse livro em 3 horas rsrs e super divertido. Mal posso esperar pela continuação.

bjs

yelraf_biano disse... [Responder comentário]

Não sabia que o livro tinha essa abordagem de ficção científica... Parece ser bem legal... Gostei demais da resenha...
E como sempre a MEG e a RÊ arrasam...


LEIAMOS!

amanda_jcw disse... [Responder comentário]

(Mandy Leelan)

EU FALEI QUE VC IA GOSTAR kkkkkkkkkkkkkkkk

É Tia Meg não falha, leitura leve e divertida! Estou louca pra ler "Sendo Nikki" e a capa é perfaaa tbm.

Bjuuus Siis =**

Letícia Santos disse... [Responder comentário]

Sou louca pra ler essa série, mas não quero começar e ter que ficar meses esperando o próximo livro. Vou ler quando Runaway tiver previsão de lançamento.

Li Um Livro disse... [Responder comentário]

Ótimo esse livro!
Gosto bastante desse estilo mais "adulto" da Meg tbm. =)

Guto Fernandes disse... [Responder comentário]

Achei interessantissimo esse livro, e a resenha me mostrou estar totalmente errado quanto ao que eu imaginava ser.

Antes para mim essa série era outro chick-lit tanto por causa da aparencia da capa quanto pela frase estampada na mesma. Confesso que me surpreendi de maneira positiva ao descobrir que este era mais um dos livros de Meg Cabot cheio de misterios e tramas.

E essa foi mais uma das resenhas bem feitas pela minha querida e amada Guria que cumpriu o seu papel de conseguir mais um leitor (e eu com minhas insistencias via msn estou quase levando-a para ler O Inimigo do Mundo rsrssr)

Parabéns pelo texto meu amor... ficou ótimo. Conseguiu mostrar por que Meg Cabot é diva!

Beijossss!

Postar um comentário

 
Guria que lê © 2010 | Desenvolvido por Chica Blogger | Voltar para o topo