A Estrada da Noite – Joe Hill



Judas Coyne é um astro do rock pesado que já superou duas vezes amaldição dos vinte sete anos e ainda está na ativa. Porém Jude, como o rockeiro é mais chamado, tem um gosto peculiar pelo excêntrico e bizarro, possuindo uma estranha coleção de itens que acumulou ao longo da carreira.


Movido por essa sombria compulsão, muito alimentada antes pelos fãs do cantor, Judas não pensa duas vezes ao receber um e-mail sobre o leilão de um fantasma. Na verdade o produto oferecido é um paletó preto que a vendedora afirma estar sendo assombrado pelo padrasto falecido. Acreditando que a tal venda é somente mais um souvenir para guardar junto dos outros ele faz o lance mais alto e fica a espera da entrega do fantasma.


E no momento em que esta chega a sua casa entregue numa caixa preta em formato de coração ele não tem ideia do que terá em sua vida nos próximos dias.
A trama criada por Joe Hill em A Estrada da Noite é no mínimo curiosa à primeira vista, um dos motivos do meu interesse quanto ao livro. Logos nos primeiros capítulos, que não são padronizados quanto a tamanho tendo assim alguns mais extensos que outros, somos apresentados ao protagonista assim como a compra do fantasma. Esses fatos são desenvolvidos rapidamente enquanto vamos sendo inseridos na vida e no passado de Judas Coyne.

Uma vez que o fantasma realmente se prova real e Jude descobre que as motivações da entidade são ligadas a vingança por conta do suicídio de uma antiga namorada do rockeiro, tem início uma desesperada fuga. A partir deste ponto o livro torna-se permeado por cenas de ação, delírios e assombros provocados pelo morto além de planos traçados por Judas e sua namorada.


Achei interessantes os momentos em que o fantasma se fez presente, sempre tendo uma descrição um tanto previsível, mas que ainda sim pode causar alguns calafrios. Um ponto não muito bom foi justamente esse, com o livro rotulado de terror e suspense esperei mais cenas que pudessem causar alguma emoção mais acentuada, porém não passa de uma eventual agonia.


O que em alguns pontos me assustou foi o vocabulário usado, mesmo levando em consideração o contexto da história e a vida do protagonista, em alguns trechos as expressões um tanto depreciativas podem vir a incomodar os leitores. Fora isso a tradução e revisão assim como a diagramação do livro ficaram bem trabalhadas.


Um detalhe para os corações negros que abrem cada capítulo e podem deixar o leitor perdido. Embora muitas vezes se faça referência à estrada da noite e o que ela representa no transcorrer do livro, o nome original da obra é Heart-shaped Box, caixa em formato de coração. Assim como a embalagem na qual foi entregue o paletó do fantasma e justifica bem o aparecimento dos corações num livro de terror.


O desfecho da trama de A Estrada da Noite me ganhou, por ter sido algo que surpreendeu dada a proposta que indicava algo previsível até certo ponto do livro. Nessa transição, quando sabemos o que realmente aconteceu com a ex-namorada de Judas, as coisas tomam um novo rumo cujo ápice ocorre em uma improvável cena de luta.

Exceto pelo final que foi quase um e viveram felizes para sempre, achei que todos os elementos tiveram uma boa conclusão, as pontas sendo amarradas de maneira natural. Um bom livro que deve ser lido com calma para conseguir assimilar cada informação e tirar um proveito ainda maior do ótimo nível de escrita que Joe Hill demonstrou logo em seu romance de estréia. Enfim A Estrada da Noite ao seu ponto final acaba por nos mostrar que os piores fantasmas que podem nos perseguir são justamente os criados por nós mesmos e que se não os enfrentarmos uma hora eles irão voltar para nos buscar.
“Os mortos sempre buscam o que é seu”

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Título Nacional: A Estrada da Noite
Título Original: Heart-shaped Box
Autor: Joe Hill
Ano de Publicação: 2010
Número de Páginas: 320 páginas
Editora: Editora Sextante/ Editora Arqueiro
Onde Comprar: SubmarinoSaraiva
Sinopse: Uma lenda do rock pesado, o cinqüentão Judas Coyne coleciona objetos macabros: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta.
"Vou ´vender´ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto..."
Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas - o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um.
Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora.
O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente - verdadeira sentença de morte. O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude.
Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica. Durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro. As verdadeiras motivações de vivos e mortos vão se revelando pouco a pouco em A estrada da noite - e nada é exatamente o que parece.
Ancorando o sobrenatural na realidade psicológica de personagens complexos e verossímeis, Joe Hill consegue um feito raro: em seu romance de estréia, já é considerado um novo mestre do suspense e do terror.



Avaliação: ««««


 Meu nome é Gutemberg Fernandes, ou para os íntimos Guto. Sou fã de literatura fantástica, principalmente épica ou medieval, além de contista nas horas vagas. No Guria irei trazer para vocês um pouco deste universo de cavaleiros e dragões, espadas e magia. Espero que gostem.

8 comentários:

Bruna M. Silva disse... [Responder comentário]

Estou namorando este livro a muito tempo para lê-lo! E dizem que os livros de Joe Hill são ótimos, e ainda tendo um protagonista do rock deve ser muito legal!

Ótima resenha! =)

Vulcka disse... [Responder comentário]

" os piores fantasmas que podem nos perseguir são justamente os criados por nós mesmos "
Bah.. eu sofro com isso! Penso demais no que não devo e imagino o que não quero. Tem cura, Joe Hill?

Parece ser muito bom o livro *-*


@Vulcka

paros28 disse... [Responder comentário]

Vou ter que ler o meu depois dessa resenha, mas estavamos falando no tt eu e a Rê, você podia começar a ler livros romanticos kkkkkkkkkkkkk, posta uma resenha de IAN, e tira esse lado sombrio de você, Jedi kkkkkkkkkkkkkkkkk.

Brincadeira... te amo maninho resenha 100%

c8ris disse... [Responder comentário]

gostei ^^ quero ler e saber sobre a garota e o fantasma ja esta add no skoob otima resenha

Laiara Martins disse... [Responder comentário]

Ainn, por onde começo...
Claro que sua resenha tá ótima!
Tenho estado de olho nesse livro há um tempo, mas ele sempre fica pro final da fila de leitura...
Então não faço ideia de quando vou lê-lo...
E depende muito do meu humor, por exemplo hj não me despertou muita vontade de lê-lo, mas uma hora bate A Loka e vou querer devorá-lo...
Vamos esperar pra ver...

Joelma Alves disse... [Responder comentário]

Eu sou fã do Joe Hill, li os três livros que ele já lançou, e o meu preferido é A Estrada da Noite. Aliás, gosto muito mais do título em português do que do original, acho que ele passou mais sobre a alma da história...
Esse livro me assustou muito, li em pouco tempo e parece que enquanto eu estava lendo o Cradock estava me vigiando também.
Gostei do final, porque eu nem esperava que a Maribeth sobrevivesse...
Recomendo a leitura de O Pacto também, o livro mais recente do Joe Hill, realismo fantástico de primeira!

Gisele disse... [Responder comentário]

Parece ser um bom livro, mas não curto muito esse tema de fantasmas e tals...

bjus

Luks Vieira disse... [Responder comentário]

Confesso que prefiro o livro: O pacto, do meu mesmo autor (já leu este?) [...] muito bom! recomendo. Mas vou lê-lo, achei interessante.
Att.,
Luks

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